sábado, junho 24, 2006

Sugestão da semana


Na discussão que se seguiu ao post "A globalização e os seus efeitos", o Pedro afirmou que o PIB esta longe de ser o melhor indicador para medir o desenvolvimento. Embora eu tenha contra-argumentado que o crescimento é absolutamente essencial para retirar as populações da miséria extrema, é verdade que "crescimento", porém, nao é sinónimo absoluto de "desenvolvimento" ou "progresso". E se numa fase de take-off qualquer crescimento sera melhor do que nenhum crescimento, isso não significa que em sociedades prósperas não haja uma necessidade premente de qualificar o crescimento. Não interessa, nesta lógica, apenas mais crescimento, mas um crescimento qualitativo sustentavel e assente mais na produção de "bens" do que de "males", seja públicos ou privados. Para além do mais, o PIB é um instrumento cuja arquitectura conceptual (deixando de lado os eventuais problemas metodológicos) deixa muito a desejar para ser transformado em único indicador capaz de medir o desenvolvimento. Simon Kuznets, que ganhou em 1971 o equivalente em Economia ao Prémio Nobel (porque, convém não esquecer, não há um Nobel em economia como nas outras ciências naturais e da vida), e que ajudou a criar o instrumento nos anos 30 com o Departamento de Comércio norte-americano, protestava veementemente nos anos 60 por causa do uso abusivo que os economistas e policy-makers, nos EUA e um pouco por todo o mundo, passaram a fazer do instrumento. Para utilizar uma imagem de outros economistas cépticos da sua utilização, o PIB é semelhante como se fosse uma máquina calculadora que só sabe somar.
Por essa razão, as últimas décadas têm sido férteis na criaçao e uso experimental de indicadores de riqueza e bem-estar alternativos. Destes, o mais conhecido será o Índice de Desenvolvimento Humano desenvolvido no âmbito do Programa de Desenvolvimento das Naçoes Unidas, e proposto pelos economistas paquistanês Mahbub ul Haq e indiano Amartya Sen ("Nobel" da Economia em 1998).
Em "Les Nouveaux Indicateurs de Richesse", Jean Gadrey (já conhecido dos leitores portugueses com o seu "Nova Economia, Novo Mito", publicado pelas edições Instituto Piaget) e Florence Jany-Catrice fazem uma
apresentação sistemática do trabalho feito nesta área.

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